quarta-feira, 30 de maio de 2007

A Menina triste ...

Ela acordou sem saber onde estava ,
Ou o que havia acontecido ,
Ou quem era ,
Ou mesmo o porque de estar ali em meio aquela desordem ,
No meio de tantos papeis e tantas garrafas vazias.
Acordou sem saber o que era ,
Sem saber pra onde ia ...
Acordou com mais duvidas que o de costume ,
Mas a duvida já era de seu costume .
Que dor de cabeça sentia !
Que medo de olhar-se no espelho !
Chorava copiosamente ...
Estava triste afinal
Mas a tristeza é algo com o que também já se acostumara a ter em mente ,
Por isso tudo lhe pareceu normal novamente
Duvida...
Desordem...
Tristeza ...
Acordou mais uma vez sem motivos nem culpados.
Somente a velha dor no peito e o coração desamparado.
Sem saber porque sofria ...
Ou porque o mundo havia se calado.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Quando a hora dobra ...




Quando a hora dobra em triste e tardo toque


E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,


Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
William Shakespeare

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Não perca a cabeça...


Não perca a cabeça peregrina
Não cante de galo essa vitória perdida
Nem venha com essa de que ainda esta sentida

Não perca a cabeça
Tudo passou , mas não esqueça
Não me dê um castigo que eu não mereça

Não se deprima peregrina
Não seja vingativa
Não me ataque com essa fúria tão assassina

Não perca a cabeça peregrina
Não desça tão baixo só para morder meu calcanhar
Não é assim que você vai fazer eu me curvar
Então, fique na sua, e não venha me amolar ...

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um gole de vingança

Um dia quando eu fazia a 4º serie primaria , descobri o verdadeiro e delicioso sabor de uma coisa chamada vingança ...
Eu devia ter entre nove e dez anos de idade .
Havia uma garota na minha sala
Juliana lima , ainda lembro o nome da descarada ...
Ela era mesmo uma chata , quase ninguém gostava dela , a não ser Leandro Vieira , um magrelo todo afeminado que não desgrudava do pé dela .
Imaginem , que um dia ao fazer uma pergunta para a professora eu escuto o seguinte comentário da pequena vadiazinha :
- Ele é muito feio – disse ela caindo na mais sarcástica gargalhada ...
Faltavam alguns minutos para o recreio e fique ali remoendo minha raiva sem ter resposta para aquela agressão gratuita que havia sofrido .
Nunca fui uma criança dada aos esportes , mas naquele dia pedi para fazer parte do jogo de futebol no recreio , não sabia ainda qual era o propósito da minha decisão ate ver Juliana cruzando o pátio com seu fiel escudeiro viadinho do lado ...
Chutei a bola com tanta força , tanta força que quase não consegui me equilibrar em pé .
A bola bateu com tudo na parte detrás da cabeça dela , a menina caiu de cara no chão , quebrou dois dentes ,na verdade , um dente caiu inteiro o outro que não estava mole ainda só quebrou mesmo , sem falar no galo que ficou na testa dela , a desgraçada parecia que tinha sido atropelada , ficou praticamente desfigurada ...
Enquanto todos corriam para socorrê-la , eu instintivamente como se ignorasse o que havia acabado de acontecer corri na outra direção para apanhar a bola .
Quando estava voltando Leandro berrava feito louco , apontando pra mim ;
- Eu vi você chutando a bola , foi de propósito , eu vou dizer pra professora – gritava fazendo tal escândalo que quase chegava a abafar os gritos de agonia da outra ainda jogada no chão ...
Eu me encontrava numa situação muito delicada , e sendo eu uma criança , tomei a atitude que me pareceu a saída mais eficiente para silenciar meu delator .
Joguei a bola na cara dele com toda força que eu tinha nos meu bracinhos finos , força essa que era maior do que eu esperava na época , pois acabei quebrando os óculos do pobre coitado que caiu sentado no chão juntando-se em prantos com sua melhor amiga .
Já era tarde demais para tentar parecer inocente , então resolvi ir a forra , cheguei bem perto dela e disse baixinho :
- Agora podemos ser amigos . Feia !

“tenho 22 anos agora, e ainda não consegui me arrepender disso ...”

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Sorrir ...


Sorrir

Quando a dor te torturar

E a saudade atormentar

Os teus dias tristonhos, vazios

Sorrir

Quanto tudo terminar

Quando nada mais restar

Do teu sonho encantador

Sorrir

Quando o sol perder a luz

E sentires uma cruz

Nos teus ombros cansados, doloridos

Sorrir

Vai mentindo a tua dor

E ao notar que tu sorris

Todo mundo irá supor

Que és feliz !

segunda-feira, 7 de maio de 2007

E de Agora em Diante (Oswaldo Montenegro)




E de agora em diante teria sido decretado o amor sem problemas.

E seriam vitrines os olhos, e as almas vagariam sem medo.

E de agora em diante seria pra sempre o que pra sempre acabara.

E seria tão puro o desejo dos homens, que Dionisio enlaçaria a virgem com braços enternecidos.

E aplaudiríamos, calmos e frenéticos como um são Francisco febril.

E de agora em diante pra trás não haveria.

Não mais a virtude dos fortes, mas o mérito dos suaves.

O homem feminino e a mulher guerreira..

O amor comunitário, sem ciúmes.

Dariam as mãos as moças que amo e brincariam de roda em volta de minha preferida.

E um artesão criança esculpiria flores nos cabelos e um sorriso sincero no rosto.

E de agora em diante Ghandi tava vivo pra sempre.

E Jesus era hippie, Beethoven era roqueiro e Lenon era como nós.

E se não desse certo, de agora em diante, ao menos teríamos tentando.